domingo, 11 de abril de 2010

Um poema de Riobaldo Torres Crol




DESPEDIDA 02/04/10

Minhas esperanças acabaram.
Procuro respostas, mas não as encontro.
Motivos? Não os visualizo,
mas o vazio da perda e o coração partido
levam-me ao nó na garganta. O grito incontido
emerge com força e ecoa ao infinito:

Por quê? Por quê? Por que tanta dor?
O peito queima e o coração palpita.
A lágrima rola face abaixo
e as mãos trêmulas
enxugam o rosto, num movimento brusco,
como a recriminá-lo por estar sofrendo...
Sofrendo de amor.

Amor na chegada, com tanta alegria; e
amor na partida, com tanta tristeza.
Por que não somente chegada e nunca partida?
Alegria e tristeza, tristeza e alegria,
Amor na chegada e amor na partida.

Vá, seja feliz com o que chegou.
Minha dor dar-lhe-á forças para o novo amor.
Siga tranqüilo, não olhe para trás!
Deixe-me sozinho,
com minha dor singular!

(Riobaldo Torres Crol)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Jalousie








"Não fique tão grilado; a vida é uma sucessão de momentos lindos ou horríveis, felizes ou tristes, não importa a sequência, mas, sim, a sua passagem, pois, dessa maneira, consolidamos nossa existência, e montamos o nosso filme particular, que só cabe a cada um de nós avaliar e julgar. Assim como você, também tenho direitos e obrigações e no momento só estou fazendo jus a eles." (COLBERT, 2010).

Ah, os ciúmes, os grilos e essa sucessão de momentos... Esses meteoros em reta de colisão com a impossibilidade de se exercerem direitos e deveres na cor e ação daqueles que se ligam.

Taí, essa impossibilidade da liberdade contra a qual o amor se choca é ébria. O amor tomaria por objeto um ser que pode, por exemplo, estar distante ou deitado ao lado, oculto num corpo. O amor será a sua extensão em todos os pontos do espaço real (virtual ou físico) que esse ser ocupou, ocupa ou ocupará. Se não se possui o contato com ele nas horas e nos os locais (físicos ou virtuais) em que esse ser habitou, não o possuiremos. No entanto, será que se podem tocar todos esses pontos por onde o ser amado passou, passa ou passará?





Não. Mesmo que esses locais nos fossem indicados, não os alcançaríamos. Tateia-se às cegas, sem nada encontrar. Daí, a desconfiança, o ciúme e as perseguições, gerando cachaças e serviços. E nisso, gastam-se tempos preciosos, seguindo pistas absurdas. Tudo debalde. Passa-se sempre ao lado (às vezes, ao largo) da verdade, sem nunca suspeitá-la. Como proteger-se disso? Certamente, não será com a montagem de filmes particulares. Talvez, com o esquecimento... "Mais uma dose? É claro que [você tá] afim."

quarta-feira, 24 de março de 2010

RILDO ao sol: toque em lá, com a terça no baixo.

Cá e lá, ontem e hoje, em quatro estações, um
"Abacateiro, será meu parceiro solitário nesse itinerário [...]".
Rolda-se, aos ventos, o limite arquitetônico (conforto em domus),
Là bas, le champ labouré, ici les maisons, que, sempre,
Ont le parole, que não domina nem consome as rixas,
Sobretudo acerca do lugar incomum do catre fixo em ciclos.



Reitere-se que pi não fecha o anel, nem o rompe; tangencia
O recomeço das eras, na paciência do vento:
Buril das montanhas, cujo tempo tem pó.
Enquanto se segam ósculos e se enrolam línguas,
Racionalizam-se as barras do viver na ponta da fruta silvestre.
Tudo, vai dar pé? Se não, traça-se, pela prosa e pelo verso,
O outono tocando as pontas do equinócio, nessas águas de março.



Rios e rizomas metaforizarão a cópula e a conjunção dos copos
Outorgando nexo complusivo aos fins de manhã, tarde, noite...
Leaft na vida, assim, de roldão,
Delineia-se o fim desse interagir repedidamente, no entanto,
"Ínclita geração, altos enfantes", voltamos ao solstício de verão e...

LORDI, Corsal Er Robot. O pacobá compulsivo. Vitória: Edsimesmo, 2008.


TER A PIA DO BOTECO? Em CLAROS enigmas, TER O ROB do mote, DIR-LO- ia

Pacová. [do tupi-guara.=’folha que se enrola’]. Substantivo feminino. Brás. L. a AM. Bot.: Grande erva rizomatosa da família das zingiberáceas (Renealmia exaltada), do interior da floresta pluvial, com folhas muito amplas, flores vermelhas, e cujos frutos são cápsulas que produzem sementes dotadas de odor aromático semelhante ao do cardamomo ao qual podem substituir. Cana-de-macaco (orangotango). (Aurélio, versão 6.0). Capixabês: pacobá.

Agrada-me o vocábulo, mas isso é nada (paragrama saussuriano?). O mote não é primo, e já não compilo ofensas. Se meu próximo irar-se e advertir-me de que não me ama mais, não o punirei; tampouco o coagirei, a fim de que mo desdiga na cara. Não o enviarei à ponte que se partir nem direi que procure alguém distinto. Também não subirei à tribuna, para ordenar-lhe pragas. Ele é livre para me odiar, no entanto sei que me quer bem. Tal saber não está no obstar o sofrer, mas, sim, no não se desviar dele.

Relações já se desfizeram porque uma pessoa disse à outra que acabou, que não volveria mais. E ninguém cedeu, não insistiu nem inquiriu de novo. E gastaram o tempo assim, para provar aquilo que um e outro desperdiçaram, confirmando o dano irremediável de suas frases. Aterrem-se nossas crueldades, para se velarem as injúrias! Ofertemos a nosso par a igual capacidade que temos de nos absolver. Assim, encobrir-se-ia ampla fração de nossos pepinos (no bom sentido). Nossos rivais descendem de teimas.

Repreendemos com a taciturnidade a quem nos ama; supliciamos com silêncio a quem presumimos que nos quer bem; somos frios com quem depreendemos que nos preza, tudo isso, por uma declaração dita na complexidade irrestrita da convivência. Não vale o que se gozou antes; isso se expedirá como um boleto bancário de um grito, uma obscenidade, uma imprecação. A cobrança será infinda, mesmo que seu sentido tivesse sido provisório, peculiar do desafogo, de um instante desafortunado.

Não há dor estoica e teatral; o páthos declara-se do jeito errado e do modo incorreto. Por que não perdoar? A contenda é um desespero; nela, não se sobressaem agrados e elogios. No entanto, fingimos que é calúnia e desacato. Mais fácil odiar do que trabalhar as próprias limitações e as alheias.

A boicotagem instrui pelo martírio? Quiçá, sim, mas da pior forma, pois honra o castigo e se estima uma vingança. O ideal seria apartar-se um pouco, a fim de se pensar sobre o que produziu a discórdia. O boicote é um suplício mútuo, posto que ambos percam a perspectiva de fundar uma intimidade maior e mais nobre.

A dicção engoda, expede, e o corpo suplica um abraço. Busque-se o gesto: esse elemento extralinguístico que se pendura na palavra. Mire-se nos rios: eles indicam a importância do que é tortuoso. Seguem a natureza astuta da água, mas sempre levam a alguma margem... Nem que seja a terceira.

É no litígio que exibimos nossa criatividade. Repetimos clichês, sumimos, para impor uma lição ou surgimos com alguém, para humilhar ou fingir que nada sentimos. Reiteramos as convenções, salvaguardamos a vaidade e nos inquietamos com a honra mais do que com a “coleta relação”. Chamamos de desleixo a falta de cuidado com o que se disse, reivindicamos sensatez e impomos a rigidez de nossas razões, para expor o quanto somos fidalgos, coesos e constantes.

O aparte deriva de motivos; a reconciliação, não. O bem-querer sempre se apura em dar outros lances (coups de dês). O esmero é cuidar do erro. Não há primor sem emprego da borracha e da reescrita.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Cronicamente viável...


... A ELITE DA LITERATURA EM TRÊS GÊNIOS.

As críticas exasperadas proferidas por meus colegas universitários, docentes e discentes ligados aos “direitos e esquerdos humanos”, contra A elite da tropa trouxeram-me à leitura desse livro. Lendo-o, vi que as acusações de promoção da violência prolatadas contra essa obra não procedem. Nela, deparei-me com uma expressão da arte literária caracterizada nos termos, que passo a expor.

Relatos fluidos, leves, eufêmicos, e irônicos corroboram estratégias eficazes, adotadas pelo narrador, a fim de abordar temas complexos como: polícia, bandido, política, sociedade, família, vícios, virtudes, hipocrisia, corrupção, violência, coragem, covardia, técnica, crime, castigo, Lei, justiça e honra; tudo isso entretecido com enredos, personagens, tempos e espaços sedutores.

A fina ironia do narrador do livro (que me pareceu, à primeira leitura, o personagem protagonista, capitão Nascimento) e seus bem-humorados diálogos com o narratário (leitor virtual) identificam-se com certas obras do grande gênio, Machado de Assis. Na exposição de um realismo cru, estes três autores, Soares, Batista e Pimentel, nos presenteiam com uma obra literária ímpar, em que se nota, também, a influência indireta da genialidade do célebre Rubem Fonseca e a intertextualidade flagrante com o famigerado (bem-afamado) Nelson Rodrigues.

Resta-me agradecer a esses três artistas das letras e homens de campo, de ação, e à editora Objetiva, pelo presente. Meus amigos intelectuais dos direitos humanos que me indultem, mas li o livro e assistirei ao filme.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Ode não-truinfal ao footing: uma leitura, em rede diferencial, de Ferreira e Campos


RECOLHA-SE ou VIRE-SE

Não abra o sorriso!
Posso pensar
que foi pra mim.
Da outra vez, veio-me sem aviso
e então meu coração ficou assim:

um girar de céu
bateu-me n'alma,
envenenou-me o sangue,
atingiu-me em cheio
e fiquei perdido: sumiu-me a calma,
tremeu-se-me a base e
rachou-se-me ao meio.

Esse andar besta, esse ventre frio,
essa justa de esperar querendo
e o engolir palavras, fazendo-me de mudo
fizeram-me sonhar com tudo, mesmo nada tendo

Você chegou e me pus aceso,
você sorriu e me cristalizou:
afrouxaram-se-me as pernas, secou-se-me a boca,
molhou-se-me a roupa e me petrificou.

E foi você partir, meu melhor pedaço
quebrou-se em cacos e se foi pro ar.
Agora não me tente
irresponsavelmente,
que eu preciso tempo
pra me remedar.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Física, Matemática, Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, tudo isso para seu deleite.

RESOLVA ESTAS QUESTÕES. AS REPOSTAS, JÁ AS CONHEÇO, O QUE VALERÁ AQUI É O PROCESSO PARA SE CHEGAR ÀS SOLUÇÕES.
FÍSICA
(Observação: Quando necessário utilize g = 10 m/s2).

1) Um corpo movimentando-se numa pista horizontal depara com uma rampa AB de 0,8 m de comprimento. No início da rampa, sua velocidade é de 5 m/s. Sabe-se que o coeficiente de atrito cinético entre o plano e a rampa é igual a 1/3. Considere que sen q = 0,8; cos q = 0,6 e que o ar não oferece resistência. A altura máxima, em metros, atingida pelo corpo em relação à pista horizontal é de aproximadamente?
a) 0,3.
b) 0,6.
c) 0,7.
d) 0,9.

2) Um baú, pesando 200N, em repouso, está apoiado no chão. O coeficiente de atrito estático entre o fundo do baú e o chão é de 0,41, enquanto o coeficiente de atrito cinético é de 0,32. Uma pessoa empurra o baú com uma força horizontal até colocá-lo em movimento. Uma vez iniciado o movimento, a pessoa continua a empurrá-lo com a mesma força aplicada para movimentá-lo. Nessa condição, a aceleração do baú, em m/s2, é aproximadamente?
a) 0,7.
b) 0,9.
c) 1,0.
d) 1,2.
MATEMÁTICA
3) Qual dos argumentos a seguir é inválido?
a) Se alguém é político, então faz promessas. Se alguém faz promessas, mente. Logo, se alguém é político, mente.
b) Se o avião não tivesse caído, teria feito contato via rádio. O avião não fez contato pelo rádio. Portanto, o avião caiu.
c) Alberto será despedido ou transferido para outro departamento. Alberto não será transferido. Portanto, não será despedido.
d) Se Pedro ganhou dinheiro, comprará um tênis ou um relógio. Sei que Pedro não comprará um relógio. Portanto, se Pedro não comprar um tênis, não ganhou dinheiro.

4) Qual dos argumentos a seguir é válido?
a) Se Carlos mantivesse a palavra, as mercadorias seriam entregues ou estariam em bom estado. As mercadorias foram entregues, mas não em bom estado. Logo, Carlos não manteve a palavra.
b) Se meu cliente fosse culpado, a arma estaria no quarto. Se a arma estava no quarto, então João não a viu. A arma estava no quarto e o crime aconteceu no banheiro. Portanto, meu cliente não é culpado.
c) Se continuar chovendo, a cidade ficará alagada. Se continuar chovendo e a cidade alagar, haverá congestionamento. Se houver congestionamento, então o culpado é o prefeito. Logo, se continuar chovendo o culpado é o prefeito.
d) Se fizer revisão em meu carro, vou passar férias no Nordeste. Se passar as férias no Nordeste, passarei pela casa de meus pais. Se passar pela casa de meus pais, eles me impedirão de ir para o Nordeste. Portanto, vou para o Nordeste ou para a casa de meus pais.

5) Uma pessoa deve pagar R$ 200,00 daqui a dois meses e R$ 400,00 daqui a cinco meses. A juros simples de 5% ao mês, o valor de um pagamento único a ser efetuado daqui a três meses que liquide a dívida, em reais, é?
a) 384,23
b) 463,71
c) 573,64
d) 600,00

6) Qual o capital, em reais, de uma aplicação que, durante um ano e meio, à taxa de juros simples de 40% ao ano, rende juros de R$ 300,00?
a) 300,00
b) 420,00
c) 500,00
d) 600,00


7) Um empréstimo de R$ 100.000,00 é realizado por um sistema de amortizações iguais em quatro prestações trimestrais. Considerando-se que a taxa de juros é de 4% ao trimestre, o valor da terceira prestação, em reais, é
a) 25.000,00
b) 27.000,00
c) 28.000,00
d) 29.000,00
LÍNGUA PORTUGUESA
8) Aponte a alternativa em que não há quebra de paralelismo.
a) “Ela baixou a cabeça. Perdeu a sintaxe do coração e as calças.” (O. Andrade)
b) “Sentiu o empurrão, e não se zangou; concertou o sobretudo e a alma, e lá foi andando tranqüilamente.” (M. de Assis)
c) “O sargento fora obrigado a voltar sozinhíssimo com armas e bagagens.” (M. Andrade)
d) “Ora
já faz talvez uma hora
que fumo e penso
sob a lâmpada e as asas do silêncio” (G. Almeida)

9) Assinale a alternativa em que a concordância verbal está correta nas duas orações.
a)
I – A saúde e o bem-estar garante à população boa qualidade de vida.
II – Dona Santinha foi uma das que adoeceram de tanto tomar remédio.
b)
I – Procura-se herbanários para comprar poção receitada em macumba e sessão espírita.
II – Não se atenderão a reclamações de pacientes que compram remédio sem receita médica.
c)
I – Cinqüenta milhões são muitos, levando-se em conta que se trata da população total do país.
II – Apelaram-se para os médicos mais experientes do hospital.
d)
I – Havia muitas pessoas que se encontravam em saúde perfeita e, de tanto remédio sem conhecimento médico, acabaram doentes.
II – Devem haver muitos casos de mulheres que se tornaram estéreis devido ao abuso dos raios x.

10) Quanto ao emprego da norma culta da língua, está correta a frase da alternativa
a) “Até me esqueci da escola, a coisa que mais gostava”.
b) “Nossos braços seriam bastantes para bater todo aquele feijão?”
c) “Ela disse que eu ia perder o ano e eu lhe disse que foi assim que ganhei um ano.”
d) “Eu já sabia que quando as chuvas voltassem, lá estaria ele, plantando um novo pé de feijão.”
LITERATURA BRASILEIRA
11) Considerando a passagem seguinte de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto,

“— Severino retirante,
deixe agora que lhe diga:
eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar fora da ponte e da vida;
nem conheço essa resposta,
se quer mesmo que lhe diga;
é difícil defender,
só com palavras, a vida, ainda mais quando ela
é esta vida severina;”

e o conteúdo da obra, assinale a alternativa correta.

a) Seu José, “mestre carpina”, chegando finalmente à cidade e lá descobrindo a mesma condição “severina” de vida, interpela Severino, se não vale mais a pena suicidar-se, pulando “da ponte e da vida”, já que, para os “severinos”, parece não haver esperança em parte alguma, o que iguala a vida e a morte, paralisando o mecanismo de sobrevivência que o impulsionara em sua jornada.
b) Severino, chegando finalmente à cidade e lá descobrindo a mesma condição “severina” de vida, interpela Seu José, “mestre carpina”, se não vale mais a pena suicidar-se pulando “da ponte e da vida”, já que, para os severinos”, parece não haver esperança em parte alguma, o que iguala a vida e a morte, paralisando o mecanismo de sobrevivência que o impulsionara em sua jornada.
c) Severino, chegando finalmente à cidade e lá descobrindo a mesma condição “severina” de vida, interpela Seu José, “mestre carpina”, se não vale mais a pena suicidar-se pulando “da ponte e da vida”, já que, para os severinos”, parece só haver esperança na morte, o que opõe e qualifica vida e morte, traduzindo o eixo significativo que dá título ao livro.
d) Severino, chegando finalmente à cidade e lá descobrindo a mesma condição “severina” de vida, interpela Seu José, “mestre carpina”, se não vale mais a pena suicidar-se pulando “da ponte e da vida”, já que, para os severinos”, como eles, aonde que se vá só se encontram outros
tantos severinos que nada sabem responder.