sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Cronicamente viável...


... A ELITE DA LITERATURA EM TRÊS GÊNIOS.

As críticas exasperadas proferidas por meus colegas universitários, docentes e discentes ligados aos “direitos e esquerdos humanos”, contra A elite da tropa trouxeram-me à leitura desse livro. Lendo-o, vi que as acusações de promoção da violência prolatadas contra essa obra não procedem. Nela, deparei-me com uma expressão da arte literária caracterizada nos termos, que passo a expor.

Relatos fluidos, leves, eufêmicos, e irônicos corroboram estratégias eficazes, adotadas pelo narrador, a fim de abordar temas complexos como: polícia, bandido, política, sociedade, família, vícios, virtudes, hipocrisia, corrupção, violência, coragem, covardia, técnica, crime, castigo, Lei, justiça e honra; tudo isso entretecido com enredos, personagens, tempos e espaços sedutores.

A fina ironia do narrador do livro (que me pareceu, à primeira leitura, o personagem protagonista, capitão Nascimento) e seus bem-humorados diálogos com o narratário (leitor virtual) identificam-se com certas obras do grande gênio, Machado de Assis. Na exposição de um realismo cru, estes três autores, Soares, Batista e Pimentel, nos presenteiam com uma obra literária ímpar, em que se nota, também, a influência indireta da genialidade do célebre Rubem Fonseca e a intertextualidade flagrante com o famigerado (bem-afamado) Nelson Rodrigues.

Resta-me agradecer a esses três artistas das letras e homens de campo, de ação, e à editora Objetiva, pelo presente. Meus amigos intelectuais dos direitos humanos que me indultem, mas li o livro e assistirei ao filme.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Ode não-truinfal ao footing: uma leitura, em rede diferencial, de Ferreira e Campos


RECOLHA-SE ou VIRE-SE

Não abra o sorriso!
Posso pensar
que foi pra mim.
Da outra vez, veio-me sem aviso
e então meu coração ficou assim:

um girar de céu
bateu-me n'alma,
envenenou-me o sangue,
atingiu-me em cheio
e fiquei perdido: sumiu-me a calma,
tremeu-se-me a base e
rachou-se-me ao meio.

Esse andar besta, esse ventre frio,
essa justa de esperar querendo
e o engolir palavras, fazendo-me de mudo
fizeram-me sonhar com tudo, mesmo nada tendo

Você chegou e me pus aceso,
você sorriu e me cristalizou:
afrouxaram-se-me as pernas, secou-se-me a boca,
molhou-se-me a roupa e me petrificou.

E foi você partir, meu melhor pedaço
quebrou-se em cacos e se foi pro ar.
Agora não me tente
irresponsavelmente,
que eu preciso tempo
pra me remedar.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Física, Matemática, Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, tudo isso para seu deleite.

RESOLVA ESTAS QUESTÕES. AS REPOSTAS, JÁ AS CONHEÇO, O QUE VALERÁ AQUI É O PROCESSO PARA SE CHEGAR ÀS SOLUÇÕES.
FÍSICA
(Observação: Quando necessário utilize g = 10 m/s2).

1) Um corpo movimentando-se numa pista horizontal depara com uma rampa AB de 0,8 m de comprimento. No início da rampa, sua velocidade é de 5 m/s. Sabe-se que o coeficiente de atrito cinético entre o plano e a rampa é igual a 1/3. Considere que sen q = 0,8; cos q = 0,6 e que o ar não oferece resistência. A altura máxima, em metros, atingida pelo corpo em relação à pista horizontal é de aproximadamente?
a) 0,3.
b) 0,6.
c) 0,7.
d) 0,9.

2) Um baú, pesando 200N, em repouso, está apoiado no chão. O coeficiente de atrito estático entre o fundo do baú e o chão é de 0,41, enquanto o coeficiente de atrito cinético é de 0,32. Uma pessoa empurra o baú com uma força horizontal até colocá-lo em movimento. Uma vez iniciado o movimento, a pessoa continua a empurrá-lo com a mesma força aplicada para movimentá-lo. Nessa condição, a aceleração do baú, em m/s2, é aproximadamente?
a) 0,7.
b) 0,9.
c) 1,0.
d) 1,2.
MATEMÁTICA
3) Qual dos argumentos a seguir é inválido?
a) Se alguém é político, então faz promessas. Se alguém faz promessas, mente. Logo, se alguém é político, mente.
b) Se o avião não tivesse caído, teria feito contato via rádio. O avião não fez contato pelo rádio. Portanto, o avião caiu.
c) Alberto será despedido ou transferido para outro departamento. Alberto não será transferido. Portanto, não será despedido.
d) Se Pedro ganhou dinheiro, comprará um tênis ou um relógio. Sei que Pedro não comprará um relógio. Portanto, se Pedro não comprar um tênis, não ganhou dinheiro.

4) Qual dos argumentos a seguir é válido?
a) Se Carlos mantivesse a palavra, as mercadorias seriam entregues ou estariam em bom estado. As mercadorias foram entregues, mas não em bom estado. Logo, Carlos não manteve a palavra.
b) Se meu cliente fosse culpado, a arma estaria no quarto. Se a arma estava no quarto, então João não a viu. A arma estava no quarto e o crime aconteceu no banheiro. Portanto, meu cliente não é culpado.
c) Se continuar chovendo, a cidade ficará alagada. Se continuar chovendo e a cidade alagar, haverá congestionamento. Se houver congestionamento, então o culpado é o prefeito. Logo, se continuar chovendo o culpado é o prefeito.
d) Se fizer revisão em meu carro, vou passar férias no Nordeste. Se passar as férias no Nordeste, passarei pela casa de meus pais. Se passar pela casa de meus pais, eles me impedirão de ir para o Nordeste. Portanto, vou para o Nordeste ou para a casa de meus pais.

5) Uma pessoa deve pagar R$ 200,00 daqui a dois meses e R$ 400,00 daqui a cinco meses. A juros simples de 5% ao mês, o valor de um pagamento único a ser efetuado daqui a três meses que liquide a dívida, em reais, é?
a) 384,23
b) 463,71
c) 573,64
d) 600,00

6) Qual o capital, em reais, de uma aplicação que, durante um ano e meio, à taxa de juros simples de 40% ao ano, rende juros de R$ 300,00?
a) 300,00
b) 420,00
c) 500,00
d) 600,00


7) Um empréstimo de R$ 100.000,00 é realizado por um sistema de amortizações iguais em quatro prestações trimestrais. Considerando-se que a taxa de juros é de 4% ao trimestre, o valor da terceira prestação, em reais, é
a) 25.000,00
b) 27.000,00
c) 28.000,00
d) 29.000,00
LÍNGUA PORTUGUESA
8) Aponte a alternativa em que não há quebra de paralelismo.
a) “Ela baixou a cabeça. Perdeu a sintaxe do coração e as calças.” (O. Andrade)
b) “Sentiu o empurrão, e não se zangou; concertou o sobretudo e a alma, e lá foi andando tranqüilamente.” (M. de Assis)
c) “O sargento fora obrigado a voltar sozinhíssimo com armas e bagagens.” (M. Andrade)
d) “Ora
já faz talvez uma hora
que fumo e penso
sob a lâmpada e as asas do silêncio” (G. Almeida)

9) Assinale a alternativa em que a concordância verbal está correta nas duas orações.
a)
I – A saúde e o bem-estar garante à população boa qualidade de vida.
II – Dona Santinha foi uma das que adoeceram de tanto tomar remédio.
b)
I – Procura-se herbanários para comprar poção receitada em macumba e sessão espírita.
II – Não se atenderão a reclamações de pacientes que compram remédio sem receita médica.
c)
I – Cinqüenta milhões são muitos, levando-se em conta que se trata da população total do país.
II – Apelaram-se para os médicos mais experientes do hospital.
d)
I – Havia muitas pessoas que se encontravam em saúde perfeita e, de tanto remédio sem conhecimento médico, acabaram doentes.
II – Devem haver muitos casos de mulheres que se tornaram estéreis devido ao abuso dos raios x.

10) Quanto ao emprego da norma culta da língua, está correta a frase da alternativa
a) “Até me esqueci da escola, a coisa que mais gostava”.
b) “Nossos braços seriam bastantes para bater todo aquele feijão?”
c) “Ela disse que eu ia perder o ano e eu lhe disse que foi assim que ganhei um ano.”
d) “Eu já sabia que quando as chuvas voltassem, lá estaria ele, plantando um novo pé de feijão.”
LITERATURA BRASILEIRA
11) Considerando a passagem seguinte de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto,

“— Severino retirante,
deixe agora que lhe diga:
eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar fora da ponte e da vida;
nem conheço essa resposta,
se quer mesmo que lhe diga;
é difícil defender,
só com palavras, a vida, ainda mais quando ela
é esta vida severina;”

e o conteúdo da obra, assinale a alternativa correta.

a) Seu José, “mestre carpina”, chegando finalmente à cidade e lá descobrindo a mesma condição “severina” de vida, interpela Severino, se não vale mais a pena suicidar-se, pulando “da ponte e da vida”, já que, para os “severinos”, parece não haver esperança em parte alguma, o que iguala a vida e a morte, paralisando o mecanismo de sobrevivência que o impulsionara em sua jornada.
b) Severino, chegando finalmente à cidade e lá descobrindo a mesma condição “severina” de vida, interpela Seu José, “mestre carpina”, se não vale mais a pena suicidar-se pulando “da ponte e da vida”, já que, para os severinos”, parece não haver esperança em parte alguma, o que iguala a vida e a morte, paralisando o mecanismo de sobrevivência que o impulsionara em sua jornada.
c) Severino, chegando finalmente à cidade e lá descobrindo a mesma condição “severina” de vida, interpela Seu José, “mestre carpina”, se não vale mais a pena suicidar-se pulando “da ponte e da vida”, já que, para os severinos”, parece só haver esperança na morte, o que opõe e qualifica vida e morte, traduzindo o eixo significativo que dá título ao livro.
d) Severino, chegando finalmente à cidade e lá descobrindo a mesma condição “severina” de vida, interpela Seu José, “mestre carpina”, se não vale mais a pena suicidar-se pulando “da ponte e da vida”, já que, para os severinos”, como eles, aonde que se vá só se encontram outros
tantos severinos que nada sabem responder.

sábado, 1 de novembro de 2008

ELEGANTES DEMONSTRAÇÕES MATEMÁTICAS


Aí seguem mais seis p[r]o[bl]emas para matemáticos, arquitetos e engenheiros. Não são fáceis. As respostas, eu as conheço. O que vale aqui é a resolução que cada comentarista conseguir dar a cada problema. Grato à loloshow e a contrasensocomum por resolverem o p[r]o[bl]ema número 1. Grato a todos o demais que comentaram o poema ou sugeriram algo.


2) Um casal decidiu que vai ter 5 filhos. Sem considerar as tocatas manuais e as cópulas de 1ª e 2ª leis, qual seria a possibilidade de que tivesse ao menos 2 meninos?
a) 3/5; b) 15/32; c) 1/2; d) 13/16; e) 17/20

3) Uma caixa retangular, em forma de paralelepípedo, tem comprimento, largura e altura de 600cm 360cm e 240cm, respectivamente. Para se preencher o volume desse paralelepípedo com cubos idênticos de aresta, medindo um número inteiro de centímetros, quantos cubos deveriam ser usados?
a) 26; b) 28; c) 30; d) 32; e) 34

4) O preço não-nulo de certo produto assimilou um aumento de x%; a seguir, sofreu uma redução de 2x%. Após essas alterações, o preço do produto passou a ser metade do seu valor inicial, antes do aumento. Quanto vale x?
a) qualquer valor; b) 25; c) 17√3; d) 30; e) 25(√5–1)

5) Num sistema de coordenadas cartesianas ortogonais, considere-se a reta que passa pelos pontos (0, 3) e (6, 0). O ponto dessa reta mais próximo da origem é?
a) (2, 2); b) (4/5, 13/5); c) (1, 5/2); d) (1/2, 11/4); e) (0,5, 12/5)

6) Um cilindro circular reto, com altura e diâmetro da base contendo a mesma medida, está inscrito numa esfera. Qual é a razão entre o volume do cone e da esfera, nessa ordem? (Obs.: o volume do cone, com raio de base r e altura h é ∏.r².h e o volume da esfera de raio R é 4.∏.R³)
a) 4√2/3; b) 2; c) 3√2/2; d) 5/2; e) 2√2

7) Num quartel com 1250 soldados tem-se isto: 1) todos os militares que praticam surf também praticam voleibol; 2) nenhum dos que pratica futsal também pratica surf; 3) 10% dos que praticam voleibol também praticam surf; 4) 1/3 dos praticam futsal também praticam voleibol; 5) 50 militares não praticam nem surf, nem voleibol, nem futsal; e 6) 600 militares praticam apenas futsal.

Quantos soldados que praticam apenas voleibol?
a) 230; b) 240; c) 250; d) 260; e) 270

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Pastiches, paródias, paráfrases: língua em ritmo de só xote.


Estavam sempre juntos, no mesmo sintagma, o substantivo e o artigo. Concordavam em tudo, dizia-se. Aquele, às vezes masculino, às vezes feminino, às vezes plural, era bem experimentado nas proposições da língua. Este, sempre determinante, tinha, em certos contextos, algo bem definido de feminino, singular; noutros contextos mudava de gênero, porque agora, amor, a barra é a concordância. Jovem, é vero, ma non tropo, exibia também seu status de predicado nominal.

Ingênua, fonêmica e silábica, o artigo, porém, precedia. O outro, um sujeito oculto, com amplos vícios de linguagem, era figura fácil em leituras e filmes ortográficos. Nesse sintagma em que serviam à língua, era esta a situação: os dois sozinhos, num contexto de frases verbais eram quase invisíveis. E serviram-se dessa discrição.

O artigo libertou-se das reticências, e permitiu ao substantivo uma ligeira cópula num pequeno índice. Era uma situação condicionante para provocar alguns sinônimos. Ambos já estavam bem, entre parênteses, quando, nesse período, o sujeito, usando-se de flexões verbais, e entrou com o determinante em seu aposto.

Ali, acionariam um vocalize, e ouviriam uma fonética clássica em Ré maior, enquanto se preparavam duas parataxes duplas para ele e um hiato com gelo para ela. Conversavam, sentados num vocativo. Ela, periférica, deixava; ele, com um sintagma adverbial, propôs um imperativo. Se os demais termos os vissem ali, diriam que aquilo acabaria num transitivo direto.

Ela tremia de vocabulário; ele sentia o próprio ditongo crescente. Uniram-se numa sintaxe de colocação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Nessa ênclise, ela confessou que ainda era vírgula. Ele, escandindo a prosa, sugeriu umas e outras soletradas em seu verso dela. Ela concedeu-o; estava oxítona e monossilábica aos apelos dele. Então, com duplo consentimento, partiram para uma cópula comum de dois gêneros. Entre parônimos homônimos homófonos e heterográficos, cavalgavam.

Um e outra ficaram nessa próclise. Com seu predicativo do objeto, o substantivo harmonizava-se com a regência. Nessa posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela comportava-se como um agente da passiva; ele, na ativa, todo proparoxítono, sentia o poder de intercalar que tinha o seu travessão, forçando aquele hífen.

Nisso, outro sintagma se ouviu: era o verbo auxiliar do período. Ele percebera o arranjo e entrou dando conjunções e adjetivos a um e a outro, que se encolheram gramaticalmente, cheios de locuções e exclamativas. Mas, vendo o jovem artigo em prosódia átona, o verbo auxiliar reduziu seus termos e declarou seu particípio na frase.

Vendo que isso era melhor que uma metáfora por todo o período, eles consentiram que o verbo mostrasse seu adjunto adnominal. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto (um ibiraçu!). Aproximando-se com aquela maiúscula, aquele predicativo do sujeito apontava para seus objetos. Comparando o icto do substantivo com seu tritongo, propôs uma mesóclise à trois nestas condições: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria o gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

A cópula tendia ao bitransitivo, engastando um objeto direto, outro indireto. Assim, assentaram ponto de exclamação ao ensaio, sem dispensar o uso do trema no “u”, fiéis à língua portuguesa, o verbo auxiliar, o substantivo e o artigo feminino, dispostos em conjunção coordenativa sindética, “e e e”, i. é., mais rizomáticos que radicais.

domingo, 22 de junho de 2008

A elegância das demonstrações matemáticas ou 7 p[r]o[bl]emas de arquitetos, geômetras, engenheiros e poetas


RESOLVAM ISTO (CADA P[R]O[BL]EMA VALE UMA SKOL). INTERESA-ME O PROCESSO, O COMO RESOLVER. OS RESULTADOS, JÁ OS CONHEÇO. O DESENHO ILUSTRA A POESIA QUE SÃO, JUNTOS, A GEOMETRIA, O PROJETO, A ENGENHARIA E A ARQUITETURA.

1) Um triângulo (erótico) retângulo isósceles, ABC, com o ângulo reto (segunda lei) no vértice A, tem sua hipotenusa medindo 6√2cm. Posto que M é o ponto médio do lado AC de ABC, qual será, em cm, a medida do segmento BM?

a) 6; b) 3√5; c) 7/ d) 5√2; e) 15/2

sábado, 19 de abril de 2008

Fotogramas de memórias conceituais.


"pessoas perdendo a
dimensão das
coisas
falando do tempo
quando
faltam
palavras
(pessoas se perdem
no tempo das
coisas
o tempo calado
trabalha as
pessoas)"

(Douglas Salomão)
Aí, nesse fotograma, da esquerda para a direita, Ana, Suely, Fernando (Tapinha), Marcelo (Paizinho de Ibiraçu) e eu ouvimos o poeta Luis de la Mancha (Le Padre), na extrema esquerda, tentando, com a mão esquerda, capturar a coisa que a palavra suscita, mas sempre espanta.