segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Ode não-truinfal ao footing: uma leitura, em rede diferencial, de Ferreira e Campos


RECOLHA-SE ou VIRE-SE

Não abra o sorriso!
Posso pensar
que foi pra mim.
Da outra vez, veio-me sem aviso
e então meu coração ficou assim:

um girar de céu
bateu-me n'alma,
envenenou-me o sangue,
atingiu-me em cheio
e fiquei perdido: sumiu-me a calma,
tremeu-se-me a base e
rachou-se-me ao meio.

Esse andar besta, esse ventre frio,
essa justa de esperar querendo
e o engolir palavras, fazendo-me de mudo
fizeram-me sonhar com tudo, mesmo nada tendo

Você chegou e me pus aceso,
você sorriu e me cristalizou:
afrouxaram-se-me as pernas, secou-se-me a boca,
molhou-se-me a roupa e me petrificou.

E foi você partir, meu melhor pedaço
quebrou-se em cacos e se foi pro ar.
Agora não me tente
irresponsavelmente,
que eu preciso tempo
pra me remedar.

3 comentários:

GAZUL disse...

Arre, medo!!!

arquiteliteraturas disse...

Arre, médio (maior, menor, diminuta, com a terça no baixo e outros a res...). Vale, atirantado em letras.

Anônimo disse...

Também tô me sentindo assim,espero poder juntar meus pedaços num curto espaço de tempo e quem sabe voltar tocar o ventre frio e os lábios quentes e rescontruir o que ruiu.(Lordi)