
"VÍCIO DE LINGUAGEM I [OU POMBO(A) ENAMORADO(A) OU UMA HISTÓRIA DE AMOR]
Eu te adoro
Eu te venero
Você é tudo pra mim
O ar que respiro
A minha vida!
Sem você...
Eu teria que arrumar outra vítima!"
(ATIRANDELETRA, 2007)
Depois de certo tempo, se espera que se aprenda a sutil diferença entre sustentar u'a mão e algemar uma alma; que amar não significa deitar-se em berço explêndido, e uma companhia não é garantia de seguridade social; que os beijos não são contratos de permanências mais prolongadas, e que os presentes não são promessas de afetos persistentes.
De alguém que assim proceda, espera-se que aceite suas derrotas, com a cabeça ereta e o olhar altivo (ou, no máximo, estoico); aprenda a construir as bifurcações e as redes de seus caminhos na superfície abaulada do banal do hoje, posto que os terrenos do amanhã são inseguros, para que neles se tracem planos; que os futuros se assemelham a fórmulas do tipo n-1 e x/2.
Visto que, em excesso, até o benéfico calor do sol da manhã queima, é melhor que cada um(a) plante seu próprio canteiro e reforme os porões de sua alma, em vez de esperar que lhe tragam flores de maio azuis.
Romanticistas grudento(a)s, vejam se seus amores estão na esquina. E se lá estiverem, aprendam também a deixá-los em paz, de vez em quando. Enquanto isso, mirem e reterritorializem as formas da natureza.